No rodízio promovido por Vagner Mancini, Zezinho é um dos mais regulares
"Por que Fran Mérida não joga?".
A dúvida surgiu primeiro contra o Paysandu na Copa do Brasil. Foi repetida no jogo com o Goiás. Em seguida, diante do Bahia. E nem mesmo a rádio oficial do clube ficou de fora. Todos querem saber por que o meio-campista não entra no Atlético-PR.
"Mais uma vez vou ter de responder pela terceira vez seguida. Acho muito curioso que sempre vem essa pergunta", respondeu o técnico Vagner Mancini em uma das ocasiões.
Em praticamente todas elas, o comandante rubro-negro foi confrontado por sócios que são sorteados para entrevistas pós-jogo desde que o clube aboliu as tradicionais coletivas de imprensa, no início do ano, e lançou a iniciativa até então inédita e que vem gerando saia-justas para Mancini.
Dá para compreender a insistência do torcedor atleticano. Fran Mérida chegou à Arena da Baixada com status de principal contratação da temporada, já atuou pelo Arsenal e foi considerado o novo Fàbregas - fez o mesmo caminho que o compatriota na base, saindo do Barcelona. Mas ele não está sozinho em Curitiba e é acompanhado por outros dois colegas com passagem pelo Emirates Stadium. Ao lado de Pedro Botelho e Zezinho, forma o grupo de ex-Gunners.
Nos bastidores, o espanhol é o mais badalado de todos. Pedro Botelho já esteve na mira do Fluminense, foi bem na Série B, mas é criticado pela torcida. Zezinho carregava, por outro lado, a responsabilidade num passado recente de ser a ‘resposta a Neymar'.
O
Um dos atletas que mais correm no time, Zezinho teve de se adaptar a uma função mais defensiva e tenta na Baixada reerguer a carreira após fracassar no Santos e no Bahia.
Não era esse o futuro que se projetava para o então meia-atacante do Juventude em 2009. Ao lado de Philippe Coutinho e Neymar, ele era uma das estrelas da geração 92 do País e havia sido convidado naquele ano para fazer um teste no Arsenal. Passou uma semana em Londres na companhia do então vice-presidente das categorias de base Ely Scalabrin.
"Ele fez exames médicos e conheceu o clube. Participou daquele ambiente super reservado para quem é de fora, almoçava junto com todos, tinha contato com o Fàbregas, o Edu, o Denilson... Fomos muito bem acolhidos, tratados sem nenhuma diferença", relembra Scalabrin ao ESPN.com.br.
"Não teve nenhuma abertura de negociação naquele momento. Sabíamos que o próximo passo era o acerto. O Wenger seguia o seu futebol há algum tempo", completa.
A expectativa, prossegue o ex-dirigente alviverde, era grande, mas não houve acordo de valores. O Arsenal fez proposta, mandou representante e o negócio acabou não evoluindo. Ficou um pouco de frustração em Caxias do Sul.
"Teve comparação com o Neymar, o futuro era tão promissor quanto, os momentos eram semelhantes. No Mundial Sub-17, ele chegou a ser eleito melhor em campo em alguns jogos", afirma Ely Scalabrin.
Na época, estava na moda catapultar as multas rescisórias de garotos para cima. O Juventude fez o mesmo com o Zezinho. Não só para se proteger, mas também para atrair mídia, promovendo em evento a sua joia de R$ 40 milhões - o custo para tirá-lo do Brasil.
Ele demorou mais do que se esperava para vingar.
Bancado no Atlético-PR pelo ex-diretor do clube e olheiro do Arsenal, Sandro Orlandelli - também responsável pelas indicações de Pedro Botelho e Fran Mérida -, Zezinho tenta recuperar aos 21 anos o tempo perdido e deixar para trás o passado com Arsène Wenger.
Nenhum comentário:
Postar um comentário